quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cap 2.2 - Os cavaleiros dos Deuses - Os Desafios dos Deuses, parte 1

Ao saírem do templo em ruinas, depararam-se com o cemitério, quase igual a como estava antes de eles entrarem. A única diferença era uma gigantesca águia, medindo por volta de 5 homens de altura, pousada acima de um imponente mausoleu.

Seus olhos passaram pelos olhos de todos, e pararam nos de Donovan. Os braços do guerreiro, imediatamente, penderam inertes ao lado do corpo. Os ombros relaxaram, a cabeça pendeu para frente e voltou a subir. Seus companheiros, ao olharem para Donovan, notaram a mudança em seus olhos. Eram iguais aos da águia. Sua expressão era fria como o aço, imutável. Uma voz começou a precipitar-se de sua garganta, mas não era dele, e sim da águia, falando através do guerreiro.

- Vosso primeiro teste, heróis, será um teste de coragem.

Imediatamente, sentiram o chão tremer e ossos começaram a brotar do solo. Subiam e entrelaçavam-se, fêmures, tíbias, costelas, pélvis e crânios, enegrecidos e retorcidos. Em instantes, antes de qualquer reação a não ser preparar-se para o combate, uma grande caixa de ossos formou-se ao seu redor, cobrindo a pálida luz da lua. Somente algumas frestas iluminavam, parcamente, o interior do sinistro caixão, além de uma abertura do outro lado da sala.

Criaturas mortas-vivas começaram a brotar do solo, cavando seu caminho para fora de sua morada. Postaram-se de pé, impassíveis, encarando-os. De fato, pareciam ter-se tornado estátuas. Ficavam a uma certa distância uma da outra, permitindo a passagem entre elas sem maiores problemas. Esqueletos, zumbis, vampiros, múmias, aparições e carniçais tomavam o recinto, com sua aparência medonha e assustadora.

Gimp engoliu seco. Olhava para os lados, esperando a reação de seus colegas. Bash foi o primeiro a mover-se, andando em uma estreita faixa de terra sem monstros. Dava a impressão de somente ter sobrado este retângulo de segurança entre eles e os mortos-vivos. Analizou a situação, observou um pouco de cima utilizando sua capa de vôo e falou:

- Eles estarão separados equiespaçadamente. Cada um está no centro de um "quadrado" de 1,5m de lado, e até o chão a seus pés parece ter cor diferente. Muito me pareceu um jogo conhecido por mim, chamado xadrez, mas com peças mais sinistras.

Os heróis imaginavam, dada a essência do desafio, que as criaturas acordariam ao aproximarem-se delas. Assim, Bash, conhecedor dos mortos-vivos, opinou andar por onde eles parecessem mais fracos. Uijo, corajoso, deu o primeiro passo em direção a um esqueleto.

Todos estavam tensos e preparados para atacar a criatura ao primeiro sinal de movimento, mas ele não veio. Ao contrário, todos puderam ver um par de mãos espectrais formarem-se da terra e atacarem Uijo, entrando em seu corpo pela perna. Ele sentiu um calafrio subindo por sua espinha, enquando as mãos atravessavam seu corpo de cima abaixo. Lembrou-se então dos ensinamentos de seus mestres, no templo de Yang, sobre como resistir a ataques malignos como estes. Esvaziar a mente, libertar o espírito. As mãos saíram pelo ombro do samurai, sem causar-lhe dano algum.

Com sua força de vontade renovada, Uijo investiu contra o esqueleto, disposto a eliminar aquela aberração do mundo. Duro como pedra. Pareciam realmente estátuas. Gimp aproximou-se e relatou: uma armadilha. Não eram criaturas para atacá-los, mas armadilhas. Impossíveis de desarmar, segundo seus conhecimentos. Uma armadilha como ele nunca houvera visto.

Por isso um desafio de coragem. Coragem de liderar o caminho, andar e afastar as trevas. O servo de Yang via claramente seu papel. Fez algumas orações, concentrou-se e caminhou à frente, convicto. Parecia não mais se importar com as armadilhas, pois somente continuava caminhando enquanto as criaturas durgiam em seu campo de visão. Mãos espectrais o assolavam, morcegos de névoa agarravam-se a seu pescoço, garras tentavam penetrar seu coração, mas nenhuma influência maligna era capaz de refrear sua investida. Seu corpo parecia protegido por uma aura branca, iluminando e encorajando seus companheiros. Resignado, atravessou todo o local, chegando próximo à saída, no outro lado. Seus companheiros o seguiram, banhados por sua inspiração, até o lado de fora da caixa macabra.

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