segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Cap 2.3 - Os cavaleiros dos Deuses - Os Desafios dos Deuses, parte 2

A primeira prova fora vencida. O macabro xadrez de mortos vivos havia lhes custado algum suor e sangue, e muita coragem e bravura. Ao retornarem ao interior do templo, encontraram lá 7 passagens. Acima de cada uma delas, um pequeno escrito. Se a informação passada a mim estava correta, estava escrito o seguinte:

Pela força, comando o mundo
Pelo combate, fui forjado a fogo e aço
Entretanto, sob um intempestivo punho
Às vezes não resta, da glória, nem traço
Um honrado combate
Um nobre oponente
Um ideal não se debate,
De meu Senhor, sou somente servente

Como aliadas, rapidez e agilidade
Assim como as trevas, me escondem e encobrem
Para atacar, desprevenido
E desaparecer, desapercebido

Para aquele que invocar
A força mágica de Wynna
Saiba que, depois de adentrar,
Enfrentará sua ruína

Meu Senhor está além
Muito além do entendimento
Segui-lo como O convém
Este é o mais solene juramento

A honra é meu código condutor
O auto-aprimoramento, meu guia
Meu corpo e energia, todo meu vigor
Até o Eu, pela sinuosa via

A sétima inscrição foi apagada da memória de todos pelas areias do tempo, pois nenhum dos heróis adentrou este teste. O primeiro foi o desafio de Jason Patrinel, como era de se esperar. A força deste herói é lendária, até mesmo entre criaturas como gigantes. O segundo, Uijo o desvendou. Aqueles treinados nos ensinamentos de Yang sempre foram conhecidos por sua honradez e nobreza, então não se podia esperar desfecho diferente. O terceiro, por nosso hilário colega Gimp. Afinal, em matéria de rapidez, ele se comparava ao próprio vento. O quarto, para Van Bash, o mago das mil faces. Ele encontrou sua ruína, isso ele mesmo afirmou, não física, mas psicológica. O quinto fora atribuído a Donovan Bane, o guardião do Conhecimento. Sua dedicação quanto à Busca determinada por seu Deus era tocante, e aceitou o desafio.

Segundo alguns, o sexto coube a um herói que não formou o grupo do qual vos falo, Wu. Alguns estudiosos creem veementemente na existência deste sexto representante, enquanto outro negam-no indubitavelmente. De acordo com os meus conheciementos, ele teria logo separado-se do restante do grupo, buscando, como dizia sua inscrição, seu auto-aprimoramento. Continua a lenda falando sobre um monastério, conhecido por todos como uma lenda, a não ser alguns, que juram por sua vida terem-no visto. O lendário Monastério Wu Shao ficaria no alto da mais alta montanha, no norte mais inacessível, rodeado por um oceano de neve e gelo e protegido por criaturas além da imaginação. Segundo alguns, seria a própria entrada para os céus.

Segundo eles, todos os testes tiveram o mesmo intuituo, o auto-aprimoramento. Todos eles foram forçados a utilizar capacidades fora de seus próprios contextos, tanto de treino quanto de vida. Todos tiveram alguma forma de aprendizado, algum tipo de conhecimento sobre si mesmos que desconheciam e lhes foi revelado. Todos, no entanto, concordaram em dizer, depois, sua descoberta. Segundo eles, ela fora somente uma, e a mesma para todos.

Nós somos Deuses.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cap 2.2 - Os cavaleiros dos Deuses - Os Desafios dos Deuses, parte 1

Ao saírem do templo em ruinas, depararam-se com o cemitério, quase igual a como estava antes de eles entrarem. A única diferença era uma gigantesca águia, medindo por volta de 5 homens de altura, pousada acima de um imponente mausoleu.

Seus olhos passaram pelos olhos de todos, e pararam nos de Donovan. Os braços do guerreiro, imediatamente, penderam inertes ao lado do corpo. Os ombros relaxaram, a cabeça pendeu para frente e voltou a subir. Seus companheiros, ao olharem para Donovan, notaram a mudança em seus olhos. Eram iguais aos da águia. Sua expressão era fria como o aço, imutável. Uma voz começou a precipitar-se de sua garganta, mas não era dele, e sim da águia, falando através do guerreiro.

- Vosso primeiro teste, heróis, será um teste de coragem.

Imediatamente, sentiram o chão tremer e ossos começaram a brotar do solo. Subiam e entrelaçavam-se, fêmures, tíbias, costelas, pélvis e crânios, enegrecidos e retorcidos. Em instantes, antes de qualquer reação a não ser preparar-se para o combate, uma grande caixa de ossos formou-se ao seu redor, cobrindo a pálida luz da lua. Somente algumas frestas iluminavam, parcamente, o interior do sinistro caixão, além de uma abertura do outro lado da sala.

Criaturas mortas-vivas começaram a brotar do solo, cavando seu caminho para fora de sua morada. Postaram-se de pé, impassíveis, encarando-os. De fato, pareciam ter-se tornado estátuas. Ficavam a uma certa distância uma da outra, permitindo a passagem entre elas sem maiores problemas. Esqueletos, zumbis, vampiros, múmias, aparições e carniçais tomavam o recinto, com sua aparência medonha e assustadora.

Gimp engoliu seco. Olhava para os lados, esperando a reação de seus colegas. Bash foi o primeiro a mover-se, andando em uma estreita faixa de terra sem monstros. Dava a impressão de somente ter sobrado este retângulo de segurança entre eles e os mortos-vivos. Analizou a situação, observou um pouco de cima utilizando sua capa de vôo e falou:

- Eles estarão separados equiespaçadamente. Cada um está no centro de um "quadrado" de 1,5m de lado, e até o chão a seus pés parece ter cor diferente. Muito me pareceu um jogo conhecido por mim, chamado xadrez, mas com peças mais sinistras.

Os heróis imaginavam, dada a essência do desafio, que as criaturas acordariam ao aproximarem-se delas. Assim, Bash, conhecedor dos mortos-vivos, opinou andar por onde eles parecessem mais fracos. Uijo, corajoso, deu o primeiro passo em direção a um esqueleto.

Todos estavam tensos e preparados para atacar a criatura ao primeiro sinal de movimento, mas ele não veio. Ao contrário, todos puderam ver um par de mãos espectrais formarem-se da terra e atacarem Uijo, entrando em seu corpo pela perna. Ele sentiu um calafrio subindo por sua espinha, enquando as mãos atravessavam seu corpo de cima abaixo. Lembrou-se então dos ensinamentos de seus mestres, no templo de Yang, sobre como resistir a ataques malignos como estes. Esvaziar a mente, libertar o espírito. As mãos saíram pelo ombro do samurai, sem causar-lhe dano algum.

Com sua força de vontade renovada, Uijo investiu contra o esqueleto, disposto a eliminar aquela aberração do mundo. Duro como pedra. Pareciam realmente estátuas. Gimp aproximou-se e relatou: uma armadilha. Não eram criaturas para atacá-los, mas armadilhas. Impossíveis de desarmar, segundo seus conhecimentos. Uma armadilha como ele nunca houvera visto.

Por isso um desafio de coragem. Coragem de liderar o caminho, andar e afastar as trevas. O servo de Yang via claramente seu papel. Fez algumas orações, concentrou-se e caminhou à frente, convicto. Parecia não mais se importar com as armadilhas, pois somente continuava caminhando enquanto as criaturas durgiam em seu campo de visão. Mãos espectrais o assolavam, morcegos de névoa agarravam-se a seu pescoço, garras tentavam penetrar seu coração, mas nenhuma influência maligna era capaz de refrear sua investida. Seu corpo parecia protegido por uma aura branca, iluminando e encorajando seus companheiros. Resignado, atravessou todo o local, chegando próximo à saída, no outro lado. Seus companheiros o seguiram, banhados por sua inspiração, até o lado de fora da caixa macabra.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Cap 2.1 - Os cavaleiros dos Deuses - A morada

Hum... Onde eu parei mesmo? Sim, lembrei-me. A morada dos Cavaleiros dos Deuses. Esta é uma parte importante da história, caros ouvintes. Aqui, nossos heróis aprenderiam muito mais do que esperavam, e muito realmente não assimilariam.

. . .




Ao adentrarem, olharam ao redor. O interior era tenebroso. A falta de telhado iluminava os passos dos heróis com a luz da lua cheia, entre nuvens ocasionais. As paredes, um dia brancas, estavam enegrecidas e tomadas por fungos. Os vitrais, quebrados, serviam de ponto de pouso para dezenos de corvos. À altura da visão, 7 tabuletas, como lápides, estavam fincadas nas paredes, eqüiespaçadas.

Bash e Gimp aproximaram-se de uma delas a fim de decifrarem seu enigmático conteúdo, enquanto os outros montavam guarda ou oravam a seus Deuses. A escrita era de uma linguagem antiqüíssima, e somente tiveram tempo de decifrar, em uma delas, uma espécie de prece a um Deus. Às portas da morte, algum fiel implorava e questionava seu Senhor quanto ao seu impiedoso destino.

Neste momento, a lua cheia foi coberta. Nuvens negras obscureceram a visão de todos. Com um piscar de olhos, a lua reapareceu, e a entrada do templo havia sumido. As tabuletas começaram a brilhar, uma luz pálida e tênue. Aos poucos, figuras fantasmagóricas começaram a divisar-se a frente das tábuas. Rapidamente, os heróis entraram em formação defensiva e sacaram suas armas, esperando o combate iminente.

O uivar do vento, mais uma vez, enregelou a nuca do grupo. Sentiam o formigamento crescer em suas mãos e o frio incomodando suas entranhas, o aprimorar da visão e o calafrio na espinha. O sangue começava a ferver, e os muscúlos retesaram-se. Ao primeiro sinal de perigo, qualquer deles poderia se lançar como uma seta contra os inimigos e estraçalhar seus corpos como finas folhas de seda.

As 7 figuras montaram-se na frente deles. Pareciam antigos guerreiros, sem capacetes, todos exatamente iguas. Portavam peitorais, escudos e espadas, mas símbolo conhecido algum poderia ser divisado em qualquer deles. Da cintura para baixo, somente uma forma esfumaçada era visível, e pernas não podiam ser divisadas. Pareciam gênios, como os das lendas, flutuando acima do solo.

Os 7 aproximaram-se, fechando o círculo contra os hérois. A uma distância de aproximadamente 10 passos, eles pararam e se pronunciaram.

- Quem sois, invasores? Como ousais perturbar nosso local de descanso?

Somente um falava, flutuando dois passos à frente dos outros, mas a voz parecia vir de todos ao mesmo tempo.

- Sou Van Bash, servo da Magia. Este é Jason Patrinel, abençoado pela Natureza e Justiça. Este é Uijo, servidor dos ensinamentos de Yang. Este é Gimp, o goblin. Este é Donovan Bane, devoto do Conhecimento dos tomos antigos.

- Não perguntei vossos nomes nem a quem servem, perguntei quem sois.

Neste momento, dois espíritos se adiantaram.

- Aqui não há servente ou adorador das nobres forças da Natureza.
- Nem da honra da Justiça.

Atônito, Jason ficou pensativo. Sua expressão mostrava uma ponta de descontentamento quanto àquele comentário.

- Nós somos nós. E vocês, quem são? - disse Jason

- Assim como vós, nós somos nós. O que quereis aqui?

- Fomos mandados aqui para averiguar este local. Não queremos fazer-lhes mal, sejam quem forem. - disse Bash

- Invadis nosso local de descanso. Por que deveríamos ajudar-vos?

- Vocês são almas atormentadas. Eu li em seu túmulo a súplica aos deuses. Como este pode ser seu local de descanso?- disse Bash.

- Nós sabemos quem somos. Assim, podemos descansar. Não pertencemos, como vocês, a este mundo, assim como não pertencemos a nenhum outro. Nós somos. Não estamos vivos, nem mortos. Simplesmente existimos.

- Um dia já estiveram vivos, eu li. - disse Bash.

Não houve resposta.

- Aqui estamos porque o mundo corre perigo. Um grande mal assola o mundo, e queremos saber como impedi-lo - disse Bash

Depois de algum tempo de silêncio.

- Deveis enfrentar desafios. Tu poderias nos dizer quantos, servo da sabedoria de Yang?

- Quantos forem necessários. - disse Jason, bravo.

- 5, um para cada um de nós. - disse Bash, Uijo concordando.

- Enfrentareis três desafios. Assim, saberemos se sois ou não dignos.

Durante toda a conversa, os espirítos revezavam-se à frente do círculo que haviam formado. Dependendo da pergunta feita, um ou outro tomava a frente. Nossos heróis, no entanto, não poderiam ter decorado todos eles a ponto de diferenciá-los.

Ao dizer a última frase, os espíritos desaparecem do mesmo modo como apareceram. Os heróis dirigiram-se para fora do templo, pela porta, reaparecida.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cap 1.6 - Markheign, o reino da Fênix - A busca

Segundos depois de proferidas as palavras mágicas pelo encantador, os heróis chegaram a seu destino. O local era sombrio e tenebroso. Estavam no topo de uma colina verde, como um oásis em meio ao deserto. Uma névoa espessa obstruía a visão mais distante, mas era possível ver árvores mortas sobre o campo abaixo da colina. O uivante vento gelava a espinha, como o toque cadavérico da morte. Calafrios eram inevitáveis, e o pobre Gimp nem mesmo conseguia respirar. Uijo murmurou preces rápidas a seu Deus, pedindo por força e sabedoria para enfrentar o que viesse a se opor a ele em sua divina empreitada. Cautelosamente, começaram a descer a colina desprovida de vegetação.

À medida que andavam, alargavam seu campo de visão. À medida que forçavam sua inquebrável vontade sobre aquele campo maldito, a névoa dispersava-se. Podia-se ver, agora, um cemitério. Sua tosca e decrépita murada agora ruía, como se há séculos ninguém pisasse naquelas terras ou cuidasse de coisa alguma ali. Um portão duplo, com uma metade caída, adornava a entrada do recinto. Corvos espreitavam, silenciosamente, de cima do muro e dos galhos das ávores.

Passando pelo portão, nenhum dos heróis poderia deixar de sentir o mau agouro certamente trazido por aquela ação. Adentrar em tal nefasto local não poderia trazer bons auspícios. Lápides, enegrecidas pelo tempo, emergiam aqui e ali, com nomes de pessoas comuns. Mausoléus mostravam o esplendor deixado intacto pelas inexoráveis areias do tempo, com seus enfeites vivos de abutres, observando os passantes. Aqui, a grama tornava-se cada vez mais rala e escassa, e nenhum árvore erguia-se com uma folha sequer.

Ao longe, puderam avistar aquela construção. Imperiosa como um castelo, maravilhosa como um templo. O tempo parecia ter castigado pouco esta construção se comparada a todo o resto. Suas paredes continuavam de pé, enegrecidas. Parte do teto havia caído, e os vitrais que um dia enfeitaram suas paredes pareciam ter quebrado há eras. A entrada havia sido um pouco destruída, assim como o teto, mas o resto estava intacto.

Os heróis aproximaram-se e, rogando aos Deuses por coragem, passaram pela entrada do local.

. . .

Senhores, senhoras e crianças, a noite alongou-se demasiado, novamente. Com sua licença, este humilde servo precisa retirar-se. Amanhã, no entanto, continuarei a história, como o tenho feito. Afinal, todos devem conhecer os salvadores de nosso amado mundo, não?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Cap 1.5 - Markheign, o reino da Fênix - O último sono tranquilo

Após o encontro com o guerreiro sem rosto, os heróis, preocupados com a segurança da última casa amiga, foram às autoridades. Somente assim poderiam dormir tranquilos.

Tendo avisado ao chefe da casa de guarda, puderam descansar. Em seus pensamentos nada mais passava a não ser o inquietante encontro noturno. Quem poderia imaginar um servo das trevas dentro da mais forte proteção mágica da história do planeta? Jason, um eterno lutador, só pedia aos deuses por uma chance de lutar com ele, frente a frente, um combate singular. Ele, de fato, deixara isto bem claro no último encontro. Este sentimento era geral, menos de Gimp, cujas preocupações viravam-se para seus próprios apontamentos.

O primeiro a acordar, como sempre, foi Bash. O anel dourado e vermelho que lhe ornava o dedo fazia-o acordar logo após o raiar dos primeiros raios solares. Com trabalho a fazer e a cabeça fervilhante de idéias, ele não conseguiu descansar mais que o necessário. Precisava estar acordado, precisava pesquisar, aprender, construir. Afinal, tanto conhecimento deveria ser útil na prática. Eles sabiam que o tempo era escasso, e Bash precisava criar itens.

Os outros todos foram acordando em seguida, com os primeiros raios de Sol. Nenhum conseguira dormir por muito tempo com aquela sombra rondando-lhes os sonhos. Ele apareceu na mente de cada um deles, matando a todos. O mesmo sonho, para cada um deles. Nenhum, no entanto, comentou nada, por medo ou desconfiança.

Sim, criança, naquela época eles eram um grupo de aventureiros recém formado. Quando várias pessoas de origens e costumes diferentes se unem, é isto o que acontece: medo e desconfiança. Eles ainda aprenderiam a confiar suas vidas nas mãos de cada um de seus companheiros, mas não naquele dia.

Bem cedo, foram chamados pelo líder da guarda ao castelo. Seriam enviados para investigar um local ao norte dali, dentro da Cúpula. Um mago os enviaria para lá, assim como os traria de volta ao final da empreitada. Antes de partirem, Gimp encheu seus bolsos do delicioso queijo da guarda, no depósito há um ano ou dois. O mofo tomava a superfície. "Hum, do jeitinho que eu gosto!", disse ele. Bash, incansável, não fora, comunicando-se magicamente com seus companheiros. Assim que Bash juntou-se a eles, partiram.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Cap 1.4 - Markheign, o reino da Fênix - Encontro inesperado

Ao final da festa, nossos heróis foram espairecer suas idéias e tomar algum ar fresco pelas ruas da cidade. Mal sabiam eles do inesperado encontro com um conhecido bem pouco amistoso. O guerreiro sem rosto, o responsável por levá-los até a armadilha nas montanhas.

Sem ninguém notar, ele apareceu no meio de todos, como se estivesse caminhando com eles. Ao notarem-no, os aventureiros saltaram e formaram um círculo ao seu redor. A criatura vestia uma peça de roupa única, um negro e esfarrapado nas pontas manto com capuz. Nada se conseguia ver do lado de fora do manto, mãos, pés ou rosto. Somente o doentio brilho das órbitas vermelhas era visível dentro do capuz.

Sua voz era cadavérica. Ele viera somente ameaçar. Prometia uma dolorosa e agoniante morte aos nossos heróis. Nenhuma batalha, no entanto, fora travada, pois ele mais parecia uma sombra que um ser de carne e osso. Movia-se como o vento, escondendo-se em qualquer reentrância somente para aparecer há metros de distância, pegando alguém desprevenido.

Ao aparecer nas costas de Jason, este ignorou-lhe e disse: "Quando quiser lutar, apareça e teremos um combate honrado". A criatura, sumindo nas ranhuras do solo, reapareceu mais na frente, com a adaga na base do crânio de Jason, o metal gélido provocando calafrios: "Cuidado, vigoroso guerreiro. Mesmo o mais forte dos gigantes pode cair com um único ataque bem colocado...".

Com estas palavras, novamente sumiu, deixando somente a dúvida e confusão. Uma criatura das trevas, dentro da cúpula? O regente deveria ser avisado imediatamente!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cap 1.3 - Markheign, o reino da Fênix - A Festa

À noite, houve uma festa comemorativa. Ela deveria preceder todos os preparativos do 2º Chamado às Armas. Nossos heróis, obviamente, estavam lá. Vestidos com suas roupas de gala, todos os heróis presentes foram convocadas a divertir-se a noite toda.

Ao chegarem à festa, nossos heróis foram recebidos com música. Todos estavam comendo e bebendo, alguns dançando. O rei não se encontrava no local, nem a pessoa que os heróis deveriam encontrar ali. Assim, resolveram entrar no clima e divertir-se.

De repente, a música parou. Todos ouviram a potente voz de Milus Strovoi, o porta voz do rei. Ele anunciava o início das apresentações artísticas. Logo começaram as danças. Tribos de todas as partes do mundo se reuniam, naquela fatídica noite, no castelo do rei de Markheign. Todas queriam apresentar-se.

Aqueles intitulados de Saltec, uma tribo das Montanhas Mágicas de Yerevan, com seus corpos pintados de azul, abriram os ensejos. Entraram em cena uma dezena de homens e mulheres, vestindo trajes sumários, feitos de pele e couro de animais selvagens. Todos com corpos de atletas, traziam pinturas azuis circulares e espirais cobrindo boa parte do corpo. Em sua dança, entrelaçavam-se como uma fiandeira com suas agulhas. Uma música bem animada, ao som de flautas e tambores, completava sua dança. Houve até um efeito mágico de fogo, no centro da dança, e saltando entre as mãos dos participantes.

Após esta, uma tribo élfica apresentou-se. Eles não são como os de nosso mundo, meus caros. Eram muito diferentes naquela época. Corpos esguios, magros em sua maioria, olhares altivos e dominadores, fala profunda e majestosa. Sua dança, acompanhada por flautas e bandolins especiais, era lenta e circular. Formaram duas linhas, uma em frente à outra, e dançavam entrelaçando corpos e braços. Aporoximavam-se, giravam, faziam mesuras e afastavam-se. Giravam em círculos e voltavam a seus lugares. Parecia uma autêntica festa de reis e rainhas.

Assim foram diversas, até um bardo, muito conhecido na época, tomar o palco. Seu nome, entretanto, perdeu-se no tempo. Sua ode sobrepujou todas as outras apresentações. Queiram os Deuses um dia eu ser bom como ele! Com um discurso empolgado, ele falou sobre batalhas vencidas e perdidas, sangue derramado e chorado. Falou sobre a honra na batalha, o prazer da vitória e a glória dos caídos heroicamente. Falou sobre tudo o que o coração dos guerreiros precisa, e sobre tudo que os moveria nos anos seguintes. Tudo em alguns minutos, minutos estes que mais pareceram uma era de nosso mundo.

Com este inflamado discurso, os corações de todos encheram-se de glória e pesar. Suas mentes voltaram a sua época, às dificuldades do mundo e ao problema a enfrentar dali por diante. A nostalgia, no entanto, somente era suplantada pela clara visão de uma batalha a ser vencida, de honra a ser alcançada e do mundo a ser salvo. Assim escrevem-se os nomes dos heróis, por meio de espada e magia, e nenhum outro.

O outro ponto, menos heróico mas mais hilário, teve como principal ator um de nossos heróis, Gimp. Nosso pequeno goblin, atrapalhado com o manejo do sexo feminino e alterado pelo álcool, confundiu, com uma bela goblin, um bizarro anão com tendências um tanto... estranhas. Nosso herói somente não passou uma semana sem poder sentar-se corretamente por ter sido impedido de subir ao quarto com este inusitado parceiro por Bash. Gostaria de ter visto esta cena...