. . .
Ao adentrarem, olharam ao redor. O interior era tenebroso. A falta de telhado iluminava os passos dos heróis com a luz da lua cheia, entre nuvens ocasionais. As paredes, um dia brancas, estavam enegrecidas e tomadas por fungos. Os vitrais, quebrados, serviam de ponto de pouso para dezenos de corvos. À altura da visão, 7 tabuletas, como lápides, estavam fincadas nas paredes, eqüiespaçadas.Bash e Gimp aproximaram-se de uma delas a fim de decifrarem seu enigmático conteúdo, enquanto os outros montavam guarda ou oravam a seus Deuses. A escrita era de uma linguagem antiqüíssima, e somente tiveram tempo de decifrar, em uma delas, uma espécie de prece a um Deus. Às portas da morte, algum fiel implorava e questionava seu Senhor quanto ao seu impiedoso destino.
Neste momento, a lua cheia foi coberta. Nuvens negras obscureceram a visão de todos. Com um piscar de olhos, a lua reapareceu, e a entrada do templo havia sumido. As tabuletas começaram a brilhar, uma luz pálida e tênue. Aos poucos, figuras fantasmagóricas começaram a divisar-se a frente das tábuas. Rapidamente, os heróis entraram em formação defensiva e sacaram suas armas, esperando o combate iminente.
O uivar do vento, mais uma vez, enregelou a nuca do grupo. Sentiam o formigamento crescer em suas mãos e o frio incomodando suas entranhas, o aprimorar da visão e o calafrio na espinha. O sangue começava a ferver, e os muscúlos retesaram-se. Ao primeiro sinal de perigo, qualquer deles poderia se lançar como uma seta contra os inimigos e estraçalhar seus corpos como finas folhas de seda.
As 7 figuras montaram-se na frente deles. Pareciam antigos guerreiros, sem capacetes, todos exatamente iguas. Portavam peitorais, escudos e espadas, mas símbolo conhecido algum poderia ser divisado em qualquer deles. Da cintura para baixo, somente uma forma esfumaçada era visível, e pernas não podiam ser divisadas. Pareciam gênios, como os das lendas, flutuando acima do solo.
Os 7 aproximaram-se, fechando o círculo contra os hérois. A uma distância de aproximadamente 10 passos, eles pararam e se pronunciaram.
- Quem sois, invasores? Como ousais perturbar nosso local de descanso?
Somente um falava, flutuando dois passos à frente dos outros, mas a voz parecia vir de todos ao mesmo tempo.
- Sou Van Bash, servo da Magia. Este é Jason Patrinel, abençoado pela Natureza e Justiça. Este é Uijo, servidor dos ensinamentos de Yang. Este é Gimp, o goblin. Este é Donovan Bane, devoto do Conhecimento dos tomos antigos.
- Não perguntei vossos nomes nem a quem servem, perguntei quem sois.
Neste momento, dois espíritos se adiantaram.
- Aqui não há servente ou adorador das nobres forças da Natureza.
- Nem da honra da Justiça.
Atônito, Jason ficou pensativo. Sua expressão mostrava uma ponta de descontentamento quanto àquele comentário.
- Nós somos nós. E vocês, quem são? - disse Jason
- Assim como vós, nós somos nós. O que quereis aqui?
- Fomos mandados aqui para averiguar este local. Não queremos fazer-lhes mal, sejam quem forem. - disse Bash
- Invadis nosso local de descanso. Por que deveríamos ajudar-vos?
- Vocês são almas atormentadas. Eu li em seu túmulo a súplica aos deuses. Como este pode ser seu local de descanso?- disse Bash.
- Nós sabemos quem somos. Assim, podemos descansar. Não pertencemos, como vocês, a este mundo, assim como não pertencemos a nenhum outro. Nós somos. Não estamos vivos, nem mortos. Simplesmente existimos.
- Um dia já estiveram vivos, eu li. - disse Bash.
Não houve resposta.
- Aqui estamos porque o mundo corre perigo. Um grande mal assola o mundo, e queremos saber como impedi-lo - disse Bash
Depois de algum tempo de silêncio.
- Deveis enfrentar desafios. Tu poderias nos dizer quantos, servo da sabedoria de Yang?
- Quantos forem necessários. - disse Jason, bravo.
- 5, um para cada um de nós. - disse Bash, Uijo concordando.
- Enfrentareis três desafios. Assim, saberemos se sois ou não dignos.
Durante toda a conversa, os espirítos revezavam-se à frente do círculo que haviam formado. Dependendo da pergunta feita, um ou outro tomava a frente. Nossos heróis, no entanto, não poderiam ter decorado todos eles a ponto de diferenciá-los.
Ao dizer a última frase, os espíritos desaparecem do mesmo modo como apareceram. Os heróis dirigiram-se para fora do templo, pela porta, reaparecida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário