sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Cap 2.1 - Os cavaleiros dos Deuses - A morada

Hum... Onde eu parei mesmo? Sim, lembrei-me. A morada dos Cavaleiros dos Deuses. Esta é uma parte importante da história, caros ouvintes. Aqui, nossos heróis aprenderiam muito mais do que esperavam, e muito realmente não assimilariam.

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Ao adentrarem, olharam ao redor. O interior era tenebroso. A falta de telhado iluminava os passos dos heróis com a luz da lua cheia, entre nuvens ocasionais. As paredes, um dia brancas, estavam enegrecidas e tomadas por fungos. Os vitrais, quebrados, serviam de ponto de pouso para dezenos de corvos. À altura da visão, 7 tabuletas, como lápides, estavam fincadas nas paredes, eqüiespaçadas.

Bash e Gimp aproximaram-se de uma delas a fim de decifrarem seu enigmático conteúdo, enquanto os outros montavam guarda ou oravam a seus Deuses. A escrita era de uma linguagem antiqüíssima, e somente tiveram tempo de decifrar, em uma delas, uma espécie de prece a um Deus. Às portas da morte, algum fiel implorava e questionava seu Senhor quanto ao seu impiedoso destino.

Neste momento, a lua cheia foi coberta. Nuvens negras obscureceram a visão de todos. Com um piscar de olhos, a lua reapareceu, e a entrada do templo havia sumido. As tabuletas começaram a brilhar, uma luz pálida e tênue. Aos poucos, figuras fantasmagóricas começaram a divisar-se a frente das tábuas. Rapidamente, os heróis entraram em formação defensiva e sacaram suas armas, esperando o combate iminente.

O uivar do vento, mais uma vez, enregelou a nuca do grupo. Sentiam o formigamento crescer em suas mãos e o frio incomodando suas entranhas, o aprimorar da visão e o calafrio na espinha. O sangue começava a ferver, e os muscúlos retesaram-se. Ao primeiro sinal de perigo, qualquer deles poderia se lançar como uma seta contra os inimigos e estraçalhar seus corpos como finas folhas de seda.

As 7 figuras montaram-se na frente deles. Pareciam antigos guerreiros, sem capacetes, todos exatamente iguas. Portavam peitorais, escudos e espadas, mas símbolo conhecido algum poderia ser divisado em qualquer deles. Da cintura para baixo, somente uma forma esfumaçada era visível, e pernas não podiam ser divisadas. Pareciam gênios, como os das lendas, flutuando acima do solo.

Os 7 aproximaram-se, fechando o círculo contra os hérois. A uma distância de aproximadamente 10 passos, eles pararam e se pronunciaram.

- Quem sois, invasores? Como ousais perturbar nosso local de descanso?

Somente um falava, flutuando dois passos à frente dos outros, mas a voz parecia vir de todos ao mesmo tempo.

- Sou Van Bash, servo da Magia. Este é Jason Patrinel, abençoado pela Natureza e Justiça. Este é Uijo, servidor dos ensinamentos de Yang. Este é Gimp, o goblin. Este é Donovan Bane, devoto do Conhecimento dos tomos antigos.

- Não perguntei vossos nomes nem a quem servem, perguntei quem sois.

Neste momento, dois espíritos se adiantaram.

- Aqui não há servente ou adorador das nobres forças da Natureza.
- Nem da honra da Justiça.

Atônito, Jason ficou pensativo. Sua expressão mostrava uma ponta de descontentamento quanto àquele comentário.

- Nós somos nós. E vocês, quem são? - disse Jason

- Assim como vós, nós somos nós. O que quereis aqui?

- Fomos mandados aqui para averiguar este local. Não queremos fazer-lhes mal, sejam quem forem. - disse Bash

- Invadis nosso local de descanso. Por que deveríamos ajudar-vos?

- Vocês são almas atormentadas. Eu li em seu túmulo a súplica aos deuses. Como este pode ser seu local de descanso?- disse Bash.

- Nós sabemos quem somos. Assim, podemos descansar. Não pertencemos, como vocês, a este mundo, assim como não pertencemos a nenhum outro. Nós somos. Não estamos vivos, nem mortos. Simplesmente existimos.

- Um dia já estiveram vivos, eu li. - disse Bash.

Não houve resposta.

- Aqui estamos porque o mundo corre perigo. Um grande mal assola o mundo, e queremos saber como impedi-lo - disse Bash

Depois de algum tempo de silêncio.

- Deveis enfrentar desafios. Tu poderias nos dizer quantos, servo da sabedoria de Yang?

- Quantos forem necessários. - disse Jason, bravo.

- 5, um para cada um de nós. - disse Bash, Uijo concordando.

- Enfrentareis três desafios. Assim, saberemos se sois ou não dignos.

Durante toda a conversa, os espirítos revezavam-se à frente do círculo que haviam formado. Dependendo da pergunta feita, um ou outro tomava a frente. Nossos heróis, no entanto, não poderiam ter decorado todos eles a ponto de diferenciá-los.

Ao dizer a última frase, os espíritos desaparecem do mesmo modo como apareceram. Os heróis dirigiram-se para fora do templo, pela porta, reaparecida.

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