segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cap 1.1 - Markheign, o reino da Fênix - Lembranças

O céu escurecera. O tamanho do poder do cavaleiro era incalculável. A pequena orbe que flutuava sobre a palma de sua manopla havia esvaziado-se. Antes negra, agora tinha um branco opaco como cor.
- Se não aceitam a rendição, deverão morrer.
Com suas palavras, uma intimidadora corneta se fez ouvir. Moldada do corno de um milenar dragões, o som reverberava por toda a sua extensão, fazendo-se ouvir há centenas de metros. Há curta distância, entretanto, o pavor daquele instrumento era tão grande que fazia os homens agacharem-se e chorarem como crianças. O som de espadas e machadas caindo de mãos trêmulas encheu o campo de batalha dos defensores.
Os urros das criaturas das trevas uniram-se, em uníssomo, ao som do enorme chifre. Elas gargalhavam, xingavam e batiam espadas em escudos. Esperavam somente uma ordem de seus generais. Com um aceno de mão, a centena de metros separando os exércitos começou a encurtar-se.
Ao ver isto, ele correu para a frente de batalha. Saltou sobre seu grifo, esplendorosamente lançando-se aos céus. Por cima de suas cabeças, gritava:
- Homens! Levantem-se! Não temam aquele que não deve ser temido. Temam a fúria de seus Deuses, olhando para e por vocês de suas longínqüas moradas. Observam sua covardia, seus joelhos tremendo, suas mãos incapazes de empunhar a espada. Não vêem os homens defendendo suas mulheres e filhos, sua terra, seu clã, seu rei. Não vêem o brilhos nos olhos daqueles que lutam por um ideal, por uma causa nobre e justa. Não vêem o rilhar de seus dentes, os escudos unidos, as espadas arrancando as entranhas destas malditas criaturas. Não vêem o seu triunfar na batalha, os clarins tocados em seu retorno, a glória da vitória. E o pior, não vêem seus protegidos sangrarem e morrerem em seus nomes. Digo-lhes, homens de meu reino: lutem, matem, sangrem e morram por Eles. Nós vemos em seus planos!
Neste momento, arremeteu contra o cavaleiro. O golpe de sua espada retiniu contra o escudo do cavaleiro com um clarão que iluminou todo o campo. O que se pôde ver deste clarão foram os rostos dos homens, de pé, altivos, quase Deuses. Escudo contra escudo, lado a lado, ombro a ombro. As criaturas pararam por um instante, e só voltaram a correr ao escutarem o grito de alerta de seus mestres:
- Fleeeeeechas!

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